A dependência química é um grave problema de saúde pública e atinge pessoas de todas as classes sociais e profissões. Muitos começam a utilizar substâncias entorpecentes ainda jovens, iniciando muitas vezes com o uso “social” do álcool. Amigos de escola, vizinhos, com o início da juventude e das relações sociais, as pessoas passam a consumir álcool como uma forma de se divertirem quando reunidos.
Muitas pessoas, posteriormente, experimentam outros tipos de drogas e acabam tornando-se usuárias e dependentes. Há indivíduos que utilizam drogas por toda a vida sem que isso se torne um problema. Mas eles são a minoria.
Para a grande maioria, existe uma série de consequências negativas e efeitos colaterais que acabam afetando as suas vidas de forma drástica, trazendo muito sofrimento para seus familiares e amigos.
Os dependentes químicos são discriminados socialmente o que leva a uma condição de marginalidade social e profissional.
O tratamento às drogas nunca é fácil e nem rápido, e geralmente só é bem sucedido quando há o envolvimento de toda a família do doente.
Os tratamentos de drogas e álcool são feitos em clínicas especializadas, locais que possuem profissionais diversos treinados para lidar com as situações que geralmente podem acontecer quando se lida com dependentes químicos. Muitos doentes recusam-se a reconhecer que têm uma doença, e oferecem resistência ao tratamento.
O que quero esclarecer é que o tratamento da dependência química na verdade é relativamente simples, caso o paciente já tenha se conscientizado de que tem uma doença e esteja disposto a se tratar, a realizar os procedimentos necessários ao período de recuperação, por mais que hajam dificuldades e sofrimento.
Não é fácil, porém, e a experiência comprova que só quando o paciente está realmente disposto e há suporte familiar é que haverá resultados. É preciso encarar o problema de frente, sempre.
Quando o doente aceita o tratamento do vício, a primeira coisa a ser feita é cortar o acesso a toda e qualquer droga que esteja causando a dependência. O paciente não estará recuperado enquanto não abstiver-se totalmente de qualquer tipo de substância entorpecente.
Vencida a abstinência inicial, o paciente provavelmente já estará sem medicação, a não ser que algum quadro psiquiátrico se desenvolva que necessite de medicação não-indutora de dependência. Recomeçará, aos poucos, a remontar sua vida sem a droga.
Após o período inicial de abstinência haverá uma série de procedimentos não-medicamentosos realizados de modo a buscar a evolução do quadro psiquiátrico, para que, gradualmente, o doente possa começar a reconstruir a sua vida sem a droga.
É importante salientar que somente a psicoterapia individual não é suficiente para que hajam bons resultados de recuperação. É necessário um suporte grupal para que o paciente possa sentir-se reenquadrado em um círculo social e possa receber suporte de familiares, profissionais e mesmo de outros dependentes na mesma situação.
O tempo de internação varia de caso para caso, e alguns pacientes acabem precisando de tratamentos mais prolongados dentro de uma clínica de tratamento contra drogas. Para estes, recomenda-se que participem de alguma comunidade terapêutica.
Finalmente, uma das coisas mais fundamentais é que todas as pessoas que convivem com o doente, familiares e mesmo amigos mais próximos, recebam orientação e tratamento específico. Oriente-se. Somente assim você poderá ajudar o seu ente querido no tratamento dependência química.