Para uma senhora de 49 anos, Hard Candy é um disco invejável. Já para o mercado fonográfico, apenas mais um a ilustrar as prateleiras da música pop com a assinatura de astros ilustres do hip hop.
O disco abre com “Candy Shop”, uma canção que nos joga no doce universo do trabalho. A canção empolga com seu hip hop requebrado, sem fugir da estética do N.E.R.D., de Pharrell. O mesmo acontece na deliciosa “Give it 2 Me”, um funk groove de melodia alucinante.
“She´s Not Me” abusa da disco music com sua base funkeada e letra de uma mulher que quer copiar a rainha do pop – impressionante como, de forma violenta, a música cresce ao ponto de explodir melodicamente. Aliás, modelar as faixas é um dom de Pharrell, basta prestar atenção no início morno de “Incredible” e no que a mesma se torna da metade ao fim – quando Madonna canta “It´s time to get your hands up / it´s time to get your body movin´” é impossível deixar o corpo e as mãos paradas com o batidão eletrônico cru e confuso.
Se as canções de Pharrel seguram o trabalho numa boa, as produzidas por Timbaland pecam na extrema falta de originalidade. Exemplo claro é o encontro de “What Goes Around / Comes Around” e “Cry Me a River” de Justin Timberlake, com direito a momentos de redenção sonora em sua atmosfera religiosa, que resulta em “Devil Wouldn’t Recognize You”. Um dos poucos acertos fica por conta do amor distante de “Miles Away” e sua levada acústica quebrada pela black music.
Já “Beat Goes On” parece não encontrar rumo até Kanye West tomar as rédeas, enquanto que a aula didática de espanhol em “Spanish Lesson” destaca-se por sua consistência sonora trabalhada.
Hard Candy é um disco pop de primeira linha. Falta é ousadia por parte de seus produtores em deixar o doce menos azedo.
Dicas de download: “Give it 2 Me”, “Incredible” e “Spanish Lesson”
Assista ao vídeo Incredible
