Finalmente o tão esperado jogo chegou GTA 4 - Grand Theft Auto IV. Grand Theft Auto IV é simplesmente maravilhoso. Claro que existem defeitos, como os ambientes ainda pré-renderizados, um pecado para um jogo da nova geração de consoles, e a parca fluidez do combate corpo a corpo (o Krav Maga do protagonista Niko mais parece uma coreografia de Jackie Chan em slow motion).
Você é Niko Belic, um europeu nascido e criado na pior parte do Velho Mundo: as proximidades do Oriente Médio, mais precisamente Bósnia. Soldado veterano, você foi preso e assim ficou por muito tempo. Ao ser libertado, viu que nada tinha. Então recebe um convite de seu primo Roman para viver e trabalhar com ele em Liberty City. Roman exagera nos contos de sucesso e dinheiro, dizendo que tem ambos de sobra, quando está afundado em dívidas. Entrando nessa situação, Niko será obrigado a fazer sua vida como um assassino sangue-frio que realiza delitos da pior espécie. Mas sempre o jogo se preocupa em passar moralidades ao usuário, já que Niko não mostra gosto algum pelo que está fazendo. Claro que ainda há explosões, extorsões, prostitutas, morte, mas ainda assim, tem um jeito de "não gostei, mas tive de fazê-lo".
Liberty City está bem menor que sua antecessora do PS2, San Andreas, mas em compensação, é bem mais densa e real. Você vê pedestres que não são meramente controlados por I.A. Eles realmente convivem uns com os outros. Veja, por exemplo, um princípio de chuva fazer com que todos tirem guarda-chuvas ou então coloquem jornais sobre a cabeça para se proteger, e não simplesmente andando como se fossem impermeáveis ao temporal que se aproxima. Outro exemplo muito interessante, também presente nos GTAs anteriores, mas em (bem) menor escala, é o que pode ser chamado de "bom senso virtual" de cada um. Comece uma briga com um jovem, e será somente você e ele. Soque senhoras de idade e você pode apanhar da velha e de quem mais estiver por perto, que certamente chegarão violentamente para defender a vítima.
Os bairros da renovada Liberty City são independentes, ou seja, você poderá ver policiais mais amigáveis em bairros chiques, cheios de pessoas em paletós, ou pode passar pelos piores guetos e ver os homens da lei usando de excessiva violência contra criminosos, que respondem com mais violência.
Tudo isso aliado à uma trilha sonora que passa por reggae, pop, black e rock, principalmente rock das antigas (tem uma música que parece muito com Jailbreak, do AC/DC), sem falar na grande variedade de rádios ( e do magnificamente hilário DJ Laslow). Músicas perfeitamente
sincronizadas com o momento vivido por Niko naquela exata hora: durante um tiroteio, preste atenção e ouça uma música pesada, enquanto nos momentos de calmaria, um reggae ou até mesmo um jazz passam a sensação de relaxamento.
Uma pena os cenários ainda seguirem no estilo pré-renderizado, o que tira alguns pontos desse jogo sensacional. É bastante irritante você achar um carrão, dirigir com todo o cuidado só para bater em um poste que, há meio milésimo de segundo, não estava ali. Mas mesmo esse aspecto foi bem amenizado, já que os pedestres não começam mais a aparecer do ar, e um carro que você abandonou vai continuar ali depois que você der uma volta no quarteirão (anteriormente, eles simplesmente desapareciam).
O maior aspecto de GTA IV certamente é o celular. Quase inútil nas versões anteriores, o aparato de telefonia móvel agora funciona da forma que deveria: um conector de sua rede de relacionamentos. Faça uma missão para determinada pessoa, e o contato dela já será disponibilizado em sua agenda, fazendo com que você possa ligar ou aguardar ligações dela para pegar serviços. Ou, no caso das namoradas (sim, elas voltaram na nova geração, e não fazem jogo duro como antigamente!), marcar encontros, desmarcar encontros ou simplesmente bater papo com todos os seus contatos. Conselho: faça isso. Ligue, ligue e ligue. Seu celular não é pré-pago, então disque até deixar os dedos em carne viva. Seu celular será sua vida aqui, e quanto mais você se envolver com seus contatos, mais benefícios você terá: O jamaicano Little Jacob (cuja fala é incompreensível até mesmo com as legendas) verá em você um grande amigo merecedor de um arsenal de respeito por descontos maravilhosos. Ou então seu primo Roman Belic disponibilizará frotas de táxis para levá-lo pela cidade.
O problema é a distração que isso pode causar. Você obviamente vai ignorar uma chamada durante um tiroteio, o que acarretará em conseqüências: a pessoa poderá ligar de novo, pedindo para
que você a pegue no hospital, por ter ido parar lá devido à sua ausência. E esses pedidos não serão os exemplos de educação e cordialidade. A maior irritação telefônica certamente será Carmen, o que fará com que você ria até seu estômago explodir. Constantemente preocupada com sua fidelidade, ela ligará de todos os lugares, em todos os lugares que você estiver, e é bom se preparar se ignorar uma dessas chamadas.
GTA IV também tem um arsenal variado, mas nada muito diferente de seus antecessores. O interessante aqui é a mira e o sistema de combate com armas de fogo: além da mira automática (pouco útil), Niko poderá procurar cobertura, e abaixar-se automaticamente se estiver de frente para uma janela visível à algum inimigo. Os disparos estão mais reais e aqui a física novamente faz sua mágica: Niko SACA a arma, ao invés dela aparecer milagrosamente em sua mão. Nos carros e motos, também é assim. Ele LIGA o carro para sair cantando pneus. Na moto, ele pega um capacete.
Além disso tudo temos as funções presentes nos GTAs anteriores: missões de taxista, motorista de ambulância, bombeiro e vigilante. De longe, um dos melhores jogos para sua coleção no ano de 2008. Agora é pegar o jogo em mãos e detonar de vez esse sucesso. E que venha Metal Gear 4!

